Quando as palavras não dizem…
uma redoma me situa.
Tomado de ardor pavoroso,
não sei sequer ofegar.
Presa acuada arquejando…
sem expressar a violência da dor.
Ocorre-me sobreviver, somente;
mesmo em sutil demolição.
Ah se eu soubesse tocar…
eu seria um só enlace trovador.
Mas só sei fugir, para onde não sei;
livrar-me solto desse (des)encontro.
Tornar-me um fugitivo
que se silencia sozinho;
e sozinho reclama não saber:
sem o Verbo não sei estar.
E se aprende diferentemente?
Cinquenta eras já se foram…
e eu, em êxodo utópico…
Atrás ficou a turbação, decerto.
Mas saiba! Mesmo incauto,
de aproximação improvável;
incapaz mesmo e em evasão,
não sou um desertor de seu amor.
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