Um abismo a céu aberto,
em nervo óptico inflamado,
baixo relevo crackeado,
lama seca no deserto.
Quem dera fosse a dor,
esse raio radioativo,
em espelho aflitivo
que jorrasse esmagador.
Seus canais dilacerados,
em mim rasgam a alma,
flagelando com calma,
meus nervos suturados.
Radicais livres se aglutinam...
impiedosos são levados,
os trombos cravejados,
em minhas veias que ruminam.
E a alegria em cansaço,
foge de meus pés luzeiros,
corta o mar em cruzeiros,
longe de meu regaço.
Meus olhos lacrimosos
com taumaturgas lentes,
moradia de descrentes,
já não miram esperançosos.
Ah, quem dera fossem flor…
os seus olhos penetrantes,
que em galope retirante,
aqui de volta o meu amor.
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