Um corpo...
em decúbito sobre a pedra,
já puncionado, sub análise,
espreitando sua última costura, disseram-me.

Era o meu primo Richard,
tão presente em tempos remotos.
Pus-me a indagar:
quantas vezes tal alfaiate
aviou errante,
destemido em mar revolto,
profundo e sempre adentro?
Jovem imortal,
audacioso e obstinado;
puro instinto.
Cavaleiro das galáxias,
prenhe de tramas míticas,
submerso e caminhante,
achacado de males inexistentes;
artista insone,
conquistador implacável,
o carteiro das mulheres,
sensível, amoroso e do toque.

Adveio, então, o seu paradeiro...

Enfim, conseguiram os conselheiros!
O seu traçado foi (re)ajustado;
os punhais e a fala, retirados...
pacificaram a sua procela;
curado restou de tamanha fantasia.

Agora, em passamento,
dormente absoluto,
em tempo fugidio,
ficaram as suas histórias imponderáveis.

Boa viagem, companheiro!
Sabes tu, enfim, o que é a vida,
nessas águas sem cabelo,
em estreito misterioso.

Enquanto isso,
medo de uma convocação iminente,
contrição e saudade.

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